É Prata!!!


Sempre gostei muito de esportes. De ver e praticar. Comecei a ver partidas de vôlei na TV na época de Bernardinho, Renan, Montanaro, Domingos Maracanã, Bernard... Via porque os caras ganhavam. Porque jogavam muito...

Fiquei um tempo sem assistir esse esporte, bastante tempo eu diria... Mas voltei com a seleção de Bernardinho. A feminina!

Era admirável ver o poder que ele tinha de comandar o time e fazer aquelas meninas realizarem feitos inimagináveis até então para o torcedor brasileiro. Depois, continuei prestigiando, assistindo a seleção masculina. Nesta olimpíada porém, algo estava errado. Desde o final da liga que "a coisa" desandou. Era o prenúncio do fim.

Acho que o Bernardinho de alguma forma exagerou. Passou do ponto entre ser ríspido e exigente, e ser escroto. Não sei exatamente quando foi isso, mas o fato é que o grupo nunca mais se comportou da mesma maneira após o corte do Ricardinho. Jogadores para a posição ele tinha, Marcelinho, Bruninho, grandes levantadores. Acho que o problema foi a quebra do pacto...

Um elo de ligação se partiu. Marcelinho era o capitão do time e, ao ser cortado, o grupo entendeu que não eram uma família, que Bernardinho se achava acima do bem e do mal e, principalmente, que ninguém era insubstituível. Talvez fosse, não pela maneira de jogar, mas pela força da UNIÃO.

O fato é que tive medo de ver o jogo. Comecei, mas no segundo set, desliguei a TV e fui dormir, pensando que de repente, quem sabe, de manhã, quando abrisse a Internet, visse a foto do Brasil Campeão.

Não rolou. Sem desmerecer a medalha de prata, um grande feito para qualquer time, eu esperava um pouquinho mais do Bernardinho. Um degrauzinho a mais, para que ele provasse que realmente ninguém é insubstituível...

Bernardinho, antes da partida, leu um poema de Kipling (sim, o autor de Mogli, não o fabricante de bolsas) muito bonito:

SE

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!


Rudyard Kipling

Abraços a todos!

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