MUNDO PEQUENO, MUITO PEQUENO


 Estava eu, minutos atrás, conversando com um de meus irmãos ao telefone. Falamos de carros, falamos do tempo, falamos de gatos… E ele me disse que quando era criança meu pai adotou um gato, e o secava quando ele voltava da rua e entrava pela janela, por causa do sereno.


Eu - comentei com ele - jamais vi meu pai sequer afagar qualquer animal, mas sabia que havia tido uma jaguatirica em um dos navios da Marinha que comandou.


Meu irmão comentou então que quando tinha uns 18 anos, passeava muito pelas ruas de Petrópolis, e em suas andanças costumava ver uma garota um pouco mais velha que ele, com uma jaguatirica, ora na coleira, ora nos ombros…


_Eu conheço essa garota!


“_Como assim conhece? Você era muito pequeno…”


Há quase 20 anos atrás eu fazia o Portal da SUIPA, e conheci uma protetora, que também era escritora. Anos mais tarde criei um portal sobre proteção animal, e ela passou a ser minha colunista. Uma das crônicas que escreveu falava dela própria, uma menina de origem alemã que passeava com a sua jaguatirica pelas ruas de Petrópolis…


O Nando ficou impressionado com a coincidência, mas precisávamos de uma prova real, e Cynthia Kremer - esse era seu nome - infelizmente já partiu para o andar de cima. Procurei algumas fotos dela e enviei agorinha pelo Whatsapp. Era ela mesma, a menina da jaguatirica de Petrópolis era a Cynthia, que por tantas vezes se dedicou a conversar comigo sobre os bichos e sobre as pessoas. Sobre a vida, e sobre Petrópolis. Faz falta, muita falta, ter essas conversas com ela.


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