Saí de uma festa de família e fui ao supermercado comprar coisas para o lanche. Quando subíamos, eu, Teresa e Gabriel, a rampa do mercado, um rapaz bem novinho falou com ela, mas foi rapidamente expulso do local pelo segurança.
Lá dentro, perguntei para ela o que ele falou, e ela disse que ele queria uma caixa de Paçoquita, para vender.
Pensei na falta de oportunidades para alguém como ele. Não, não quero ser o salvador da pátria. Mas aquele garoto me tocou. Pensei em qual seria a sensação de sair de casa para comprar comida para a filha bebê e não ter nada para levar de volta.
Fui lá fora. Abordei o garoto e perguntei o que ele tinha pedido. Ele queria mesmo uma caixa de paçocas e eu o levei para comprar. Uma caixa de paçocas talvez mudasse a realidade dele ao menos naquele dia.
Me senti mal. Não sei explicar.
Comprei a paçoca e um pacote de fraldas. Ele estava revoltado, chorando, com raiva. Pedi que não arrumasse confusão, apenas pegasse o que queria.
“_Sim senhor!”
_Irmão, não sou senhor de ninguém. Só tenho uma coisa para te falar, se você puder, um dia ajude alguém.
“_Nunca ninguém fez isso por mim, nunca ninguém foi lá fora me buscar, eu sou uma pessoa, sabe? Eu tenho uma bebê…”
Sim, era óbvio que eu sabia que ele era uma pessoa. E também sabia que muitas vezes nosso dia a dia é tão corrido que quem nos pede algo é invisível.
Voltei para as minhas compras e encerrei meu domingo algumas horas mais tarde, pensando ainda no menino da paçoca!
Sei lá, eu vou envelhecendo e pensando se devia fazer mais…
Boa semana para todos!
Texto de 09 de fevereiro de 2026
Comentários